Vancouver Courier - Onda de feminicídios acende alerta na África do Sul

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Onda de feminicídios acende alerta na África do Sul
Onda de feminicídios acende alerta na África do Sul / foto: © AFP

Onda de feminicídios acende alerta na África do Sul

Uma onda de feminicídios aterroriza os moradores de uma região a leste de Joanesburgo e alimenta o temor de que um assassino em série, ou até mesmo um grupo de assassinos, esteja agindo na área.

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A polícia sul-africana encontrou, nesta quinta-feira (17), o corpo de uma nona mulher em apenas dois meses, uma descoberta que intensificou o alerta entre os moradores e levou as autoridades a reforçar as medidas de segurança.

A África do Sul registra uma das taxas de homicídio mais altas do mundo, mas a descoberta dos corpos de várias mulheres, parcialmente nuas e mutiladas, despertou temores de que os crimes estejam relacionados.

A polícia impôs um confinamento no bairro de Kempton Park, no município de Ekurhuleni, onde três corpos foram encontrados nos últimos dias, e instalou postos de controle nas ruas.

Um cordão policial se estendia nesta quinta-feira ao longo da estrada onde a última vítima foi encontrada, enquanto grupos de moradores observavam os investigadores examinarem o local.

Agentes forenses vestidos com trajes brancos de proteção trabalhavam na cena enquanto o corpo da mulher permanecia coberto por um lençol ao lado da via.

"Não podemos continuar recolhendo cadáveres", declarou a jornalistas o número dois da polícia, Tebello Mosikili.

Os assassinatos deixaram os moradores da região em estado de choque.

"É aterrorizante, as mulheres e as crianças não estão mais seguras", afirmou Patience Masa.

"Eu estava dizendo a alguém por telefone que não me sinto mais segura. Se isso acontece de manhã, então não estamos seguros", afirmou outra moradora, Zanele Vilakazi.

- Um suspeito detido -

A polícia ofereceu uma recompensa de 400.000 rands (cerca de 130.000 reais) por qualquer informação que permita prender o autor ou os autores dos crimes.

Por sua vez, a Aliança Democrática, o segundo maior partido político do país, anunciou uma recompensa adicional de 31.000 dólares (cerca de 160.000 reais).

O responsável da polícia afirmou que os investigadores tentam determinar se a descoberta mais recente está relacionada aos assassinatos anteriores ou se trata da ação de um imitador.

A violência de gênero continua endêmica na África do Sul.

Segundo as Nações Unidas, uma em cada três mulheres sofrerá violência física ou sexual ao longo da vida, apesar de anos de promessas do governo para combater esse flagelo.

Uma das vítimas, Elizabeth Moselakgomo, de 38 anos, saiu de casa para correr e nunca retornou. O corpo desta mãe de uma menina de oito anos foi encontrado em 12 de setembro atrás de um hotel.

Seu desaparecimento ganhou repercussão depois que integrantes de sua comunidade organizaram uma busca nas redes sociais. O caso contribuiu para que a atenção pública voltasse a se concentrar em outros assassinatos de mulheres e nas posteriores descobertas de corpos na região.

A primeira vítima, uma mulher de 37 anos, foi encontrada nua e amarrada em 15 de julho. Um suspeito foi detido dois dias depois e compareceu à Justiça nesta quarta-feira, segundo a polícia.

Mosikili afirmou que o homem é estrangeiro, mas não informou sua nacionalidade.

A segunda vítima, de 32 anos, foi encontrada parcialmente nua em 24 de agosto. Em 10 de setembro, as autoridades encontraram o corpo de uma terceira mulher, nua e em avançado estado de decomposição.

- "Declarou guerra contra nós" -

"Alguém declarou guerra contra nós, e vamos responder. Não vamos nos render", afirmou nesta quinta-feira o chefe do governo provincial, Panyaza Lesufi.

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirmou na terça-feira que "nenhum esforço será poupado" para esclarecer os assassinatos e reconheceu que os crimes estão provocando "medo e incerteza em nossas comunidades, especialmente entre as mulheres".

Os assassinatos provocaram uma onda de indignação na sociedade civil, enquanto aumentam as reivindicações para que as autoridades intensifiquem a luta contra a violência de gênero, um flagelo que a África do Sul declarou uma emergência nacional.

Segundo a ONU Mulheres, o país de 62 milhões de habitantes registra algumas das taxas mais altas de violência contra mulheres e crianças do mundo.

J.Dhaliwal--VC