Candidato de esquerda da Colômbia reconhece De la Espriella como presidente eleito
O candidato presidencial de esquerda da Colômbia, Iván Cepeda, reconheceu nesta quarta-feira (24) a derrota para o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella, três dias após o segundo turno mais acirrado da história do país.
Segundo a apuração preliminar divulgada no dia da eleição, o senador perdeu por menos de um ponto percentual. No entanto, afirmou que só aceitaria o resultado após a apuração final, que está quase concluída.
Após as eleições, protestos e confrontos eclodiram entre apoiadores de Cepeda e a polícia de choque em cidades como Bogotá e Cali.
"Decidi aceitar o resultado deste processo, que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República", declarou o senador em coletiva de imprensa nesta quarta-feira.
"Faço isso para contribuir para a convivência, a paz e o diálogo entre os colombianos", acrescentou.
O presidente Gustavo Petro, aliado de Cepeda, denunciou supostas violações do software da autoridade eleitoral e levantou a possibilidade de a votação ser anulada devido à "intervenção direta" dos Estados Unidos, depois de Donald Trump ter manifestado apoio a De la Espriella.
No entanto, a entidade responsável pelas eleições afirmou na terça-feira que a apuração demonstrou uma coincidência de 99,9% com a pré-apuração de domingo.
Além disso, a missão da União Europeia que enviou 150 observadores eleitorais no segundo turno descartou "irregularidades".
- "Desobediência civil" -
De la Espriella, um advogado milionário que nunca havia sido eleito para um cargo público, promete linha dura contra o crime e tem um discurso radical contra a esquerda.
"Assumiremos, se necessário, resistência e desobediência civil pacífica", disse Cepeda, que jurou rejeitar "qualquer tentativa de subjugação autoritária".
"Aceitar os resultados das eleições não significa renunciar à verdade ou permanecer em silêncio diante de eventos que consideramos graves", disse Cepeda, apontando para a "interferência estrangeira aberta e indevida" nas eleições.
Cepeda havia pedido "calma" na segunda-feira, após protestos em que seus apoiadores queimaram bandeiras dos Estados Unidos e pneus.
De la Espriella governará, a partir de 7 de agosto, um país profundamente dividido, com uma oposição preparada para protestar nas ruas.
Como prometido, a posse ocorrerá em uma guarnição militar, em consonância com seus discursos em defesa da aplicação da lei, em um país mergulhado há mais de seis décadas em um conflito armado interno contra guerrilhas.
Sem maioria no Congresso, é incerto se ele conseguirá cumprir suas promessas, como o desmantelamento do tribunal de paz criado após o acordo do governo com a guerrilha das Farc em 2016.
O bloco de esquerda é o maior no Legislativo, embora o presidente eleito possa formar alianças com partidos tradicionais para aprovar suas reformas.
O partido do influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe declarou seu apoio a De la Espriella, que chegou à presidência com um discurso antissistema.
Após o segundo turno das eleições, o candidato de extrema direita se reuniu com congressistas americanos próximos a Trump para discutir questões de segurança e imigração.
D.Wilson--VC