Vancouver Courier - Justiça do Equador decreta prisão preventiva de ex-candidata presidencial de esquerda

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Justiça do Equador decreta prisão preventiva de ex-candidata presidencial de esquerda
Justiça do Equador decreta prisão preventiva de ex-candidata presidencial de esquerda / foto: © Ecuadorian Police/AFP

Justiça do Equador decreta prisão preventiva de ex-candidata presidencial de esquerda

A Justiça do Equador decretou a prisão preventiva da ex-candidata presidencial de esquerda Luisa González por suspeita de lavagem de dinheiro para financiar a campanha eleitoral de 2023, informou o Ministério Público nesta sexta-feira (23).

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González, de 48 anos, foi detida na véspera para uma audiência de apresentação das acusações, em meio a uma investigação sobre a origem de cerca de 500 mil dólares (R$ 2,5 milhões) utilizados em publicidade eleitoral.

O juiz acolheu o pedido do Ministério Público e decretou a prisão preventiva, segundo uma mensagem na rede social X, sem detalhar os motivos pelos quais a opositora permanecerá detida enquanto é investigada, antes de uma eventual condenação.

A ex-candidata se declarou "perseguida política" do governo de direita de Daniel Noboa, segundo um áudio da audiência publicado em suas redes sociais.

Na gravação, González se dirige a um juiz e manifesta sua disposição de "colaborar com a Justiça" e, ao mesmo tempo, "exigir um tratamento justo".

"Senhor juiz, é importante que o senhor saiba que esta é a segunda vez que minha casa é alvo de uma operação de busca e apreensão. Na primeira vez, em 28 de janeiro, eu poderia ter ido embora. Desde então, e isso a senhora promotora omite, saí várias vezes do país. E em todas, em todas elas, voltei", declarou a ex-candidata presidencial, segundo o áudio.

González perdeu para Noboa nas eleições antecipadas de 2023 e novamente em 2025.

A Human Rights Watch (HRW) afirmou que acompanha "com preocupação" o caso, em meio a "um processo eleitoral marcado pela mudança de datas e pelo cancelamento e suspensão de partidos".

- Dinheiro da Venezuela -

González pertence à Revolução Cidadã (RC), partido do ex-presidente de esquerda Rafael Correa (2002-2017), foragido da Justiça e crítico ferrenho de Noboa, desde seu autoexílio na Bélgica.

A RC foi impedida de participar das eleições deste ano devido a uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro e não poderá disputar as prefeituras e governos provinciais no fim de novembro.

González, que pretendia concorrer a governador da província de Manabí, também não conseguiu se candidatar às próximas eleições, apesar de ter solicitado o apoio de outro partido. O governista Ação Democrática Nacional (ADN) e o partido de direita Creo apresentaram uma contestação à candidatura, e um tribunal eleitoral decidiu contra González.

No chamado caso Laberinto, que envolve González, o Ministério Público investiga a origem dos recursos destinados a financiar sua campanha para as eleições presidenciais antecipadas de 2023.

José Julio Neira, secretário-geral da Administração e braço direito de Noboa, afirmou em um vídeo que a hipótese do Ministério Público "aponta para a entrada de dinheiro em espécie vindo da Venezuela" para financiar a campanha presidencial de González.

Segundo Neira, o prefeito detido de Guayaquil, Aquiles Álvarez, e suas empresas também estão envolvidos nas suspeitas.

Álvarez foi condenado por comercialização ilegal de combustível subsidiado e por retirar um dispositivo eletrônico de monitoramento.

Em uma carta publicada em suas redes sociais, González afirmou que responde a 19 processos judiciais.

"Esta ditadura baseada no ódio, na destruição e na perseguição está se aproximando de seu fim", acrescentou, ao pedir que seus apoiadores rejeitem os candidatos do partido governista nas próximas eleições.

Em 2023, González perdeu com 48% dos votos para Noboa, filho do homem mais rico do Equador, que adotou uma política de linha-dura contra o crime.

Noboa responsabiliza o correísmo por ter aberto as portas ao narcotráfico, que transformou o país em um dos mais violentos da região.

González e Noboa voltaram a disputar a Presidência em 2025. A candidata de esquerda perdeu por uma diferença de cerca de 11 pontos percentuais.

P.Wood--VC