Vancouver Courier - Rosa Moreira explica por que deve semear favas e ervilhas em novembro

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Rosa Moreira explica por que deve semear favas e ervilhas em novembro
Rosa Moreira explica por que deve semear favas e ervilhas em novembro

Rosa Moreira explica por que deve semear favas e ervilhas em novembro

A agrónoma Rosa Moreira desmistifica a crença de que novembro é um mês impróprio para a horta. Segundo a especialista, semear favas e ervilhas neste período permite que as plantas desenvolvam raízes robustas durante o inverno, garantindo uma floração precoce em março e evitando os danos causados pelo calor e pelas pragas da primavera.

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A crença de que o inverno é um período de pausa para a horta pode resultar em perdas significativas para quem cultiva leguminosas. Rosa Moreira, agrónoma especializada em horticultura, alerta que guardar as sementes de fava e ervilha para semear em fevereiro, na expectativa de dias mais amenos, constitui "o engano mais caro do calendário da horta". Estas culturas exigem exatamente o oposto: precisam do frio inicial para estabelecer uma base sólida antes de crescerem.

Embora novembro pareça, à primeira vista, o mês menos adequado para qualquer plantação devido aos dias curtos, às temperaturas baixas e à precipitação frequente, ele é o momento crítico para as leguminosas de inverno. A estratégia não reside na capacidade da planta de suportar o frio per se, mas no desenvolvimento radicular que este permite.

Quando a semente é colocada na terra em novembro, a parte aérea da planta praticamente não cresce durante os meses mais frios. Este aparente estagnação é intencional e benéfica. Enquanto a superfície permanece inerte, o sistema radicular desce profundamente no solo, instalando-se firmemente. Quando as temperaturas começam a subir em fevereiro e março, a planta já possui uma raiz estabelecida e consegue arrancar imediatamente para a fase de floração.

Em contraste, uma fava semeada apenas em fevereiro é forçada a realizar dois processos complexos simultaneamente: o desenvolvimento das raízes e a formação das flores. Este duplo esforço resulta num atraso inevitável no ciclo da planta. Esse atraso tem consequências duplas e severas. Primeiro, a floração ocorre quando o calor já está presente; temperaturas elevadas durante a florada comprometem a vinga das flores, levando à queda de muitas vagens jovens antes que se possam desenvolver.

Segundo, o atraso coloca a planta em vulnerabilidade máxima face às pragas. A explosão populacional do pulgão-preto ocorre tipicamente entre abril e maio. Se a planta foi semeada tarde, encontra-se ainda tenra e em plena floração neste período crítico, tornando-se um alvo fácil. Uma planta semeada cedo, por outro lado, já terá formado vagens robustas quando as pragas chegam, resistindo melhor ao ataque.

A janela de sementeamento varia conforme a região geográfica devido às diferenças climáticas. Em zonas de interior e altitude, como Bragança e outras terras altas, recomenda-se a sementeira na primeira quinzena de novembro. O objetivo é que a planta tenha algum porte antes de enfrentar o frio rigoroso dessas regiões. No litoral, entre Leiria e outras áreas costeiras, a janela estende-se confortavelmente por todo o mês de dezembro. Nas regiões do sul, como Beja, há margem até janeiro, embora a agrónoma note que quem semeia mais cedo colhe sempre mais.

Além da gestão do tempo, o cultivo destas leguminosas oferece benefícios ecológicos fundamentais para o solo, muitas vezes invisíveis a olho nu. As raízes das leguminosas abrigam nódulos contendo bactérias fixadoras de azoto. Ao arrancar uma planta no fim do ciclo e sacudir a terra, é possível observar pequenas bolinhas do tamanho de uma cabeça de alfinete agarradas às raízes finas. Se estas forem cortadas ao meio e apresentarem uma coloração rosada no interior, indica que estiveram ativas na fixação de azoto.

Este processo biológico dita duas regras práticas essenciais para o gestor da horta. Em primeiro lugar, não se deve adubar com azoto nestes canteiros. A planta, tendo acesso ao azoto fixado naturalmente nas raízes, tende a deixar de produzir mais nódulos e desvia toda a energia para o crescimento folhoso, em detrimento da produção de grão ou vagem. Em segundo lugar, não se devem repetir leguminosas no mesmo canteiro em dois anos consecutivos, para evitar o acúmulo de doenças específicas das raízes.

As técnicas de sementeira também exigem precisão. As favas devem ser enterradas a quatro ou cinco centímetros de profundidade, com uma distância de vinte a vinte e cinco centímetros entre plantas e cerca de sessenta centímetros entre linhas. As ervilhas, por sua vez, ficam mais à superfície, a dois ou três centímetros, e podem ser plantadas mais juntas na linha.

Um erro comum é deixar as sementes de molho antes da sementeira. Rosa Moreira desaconselha esta prática: a semente embebida absorve água demasiado depressa. Em terra fria e húmida, típica do inverno, isso leva à rachadura da semente e ao apodrecimento antes mesmo de germinar. A semente deve ser plantada seca.

Para as ervilhas de trepar, a colocação do tutor deve ocorrer no mesmo dia da sementeira. Espetar canas num canteiro já povoado por plantas adultas é uma prática danosa, pois corta raízes que estavam a trabalhar há meses. Recomenda-se ainda a sementeira em linha dupla, com as duas linhas próximas, para que as plantas se apoiem mutuamente e resistam melhor às rajadas de vento das depressões atmosféricas típicas do inverno.

A gestão da horta não termina na colheita. O gesto final decide se o trabalho serve apenas para a produção atual ou também enriquece o solo para a próxima época. Ao fim da produção, as plantas de fava e ervilha não devem ser arrancadas pela raiz. Os caules devem ser cortados rente ao solo, deixando as raízes no terreno. Os nódulos permanecem lá e libertam azoto gradualmente à medida que se decompõem, exatamente no local onde se irá semear a seguir. A parte aérea pode ir para o composto ou ficar à superfície como cobertura morta.

É neste mesmo canteiro enriquecido que devem ser plantados os tomates, as courgettes ou as couves da época seguinte. Arrancar as plantas pela raiz levaria embora, num único gesto, o adubo natural que elas fabricaram durante todo o inverno.

Para a primavera, há ainda uma técnica de proteção específica contra o pulgão-preto. Assim que as primeiras vagens se formarem na fava, recomenda-se cortar os vinte centímetros da ponta de cada planta. O inseto instala-se precisamente nos rebentos tenros do topo; removê-los afasta boa parte do problema sem necessidade de produtos químicos e redireciona a energia da planta para o desenvolvimento das vagens. Essas pontas cortadas são comestíveis, podendo ser salteadas como se fossem espinafres.

A escolha do dia exato para a sementeira depende da previsão meteorológica local. O solo deve estar húmido mas ainda trabalhável, idealmente alguns dias após uma chuva, e nunca na véspera de uma série de dias de precipitação forte. A semente da fava é grande e rica em nutrientes; em solo encharcado, corre o risco de apodrecer antes de conseguir nascer.

U.Hernandez--VC